Aconteceu, na noite do dia 24/10/2025 (sexta-feira), a posse das neo-acadêmicas Carla Lima Abreu Cruz e Cláudia Chaves Martins Jorge. A cerimônia foi marcada por momentos indescritíveis. O Acadêmico efetivo da cadeira nº 31 Evandro Aléssio Rodrigues Pereira, padrinho da empossada da noite Carla, proferiu um discurso carregado de emoções, Carla, por sua vez, fez seu discurso de posse no melhor estilo, em versos, encantando a todos com seu especial talento poético.
A segunda empossada da noite, Cláudia Chaves Martins Jorge tem como padrinho o Acadêmico efetivo Ricardo Salim, ocupante da Cadeira de nº 7, que, por compromissos anteriormente assumidos, não pode estar presente, mas gravou um vídeo que contagiou a todos. As emoções da noite não pararam por aí, a jovem advogada Luíza Baêta, sobrinha neta de Zenaide de Araújo Vieira Maia, proferiu belíssimas palavras e apresentou um vídeo emocionante que levou muitos às lágrimas. Também abrilhantou a noite a presença de muitos dos familiares da Professora Zenaide. Sem dúvidas, uma noite a entrar para a história da ABL que, sem perder o respeito às tradições, soube inovar em uma noite tão especial.
CARLA CRUZ
Por entre as doces rajadas do frio barbacenense, uma noite esplendorosa!
Não apenas pelos convidados que se emocionavam junto às palavras da Arcádia, mas pelo clima de fraterna alegria que pairava sobre a acolhida das duas novas empossadas.
Quase podíamos sentir a bênção do próprio Plínio Alvarenga através dos discursos de nossos padrinhos! E, se anjos houvessem, foram os que conduziram a organização do evento e sua posterior recepção!
Nessa ditosa noite, relevamos os espinhos da vida cotidiana para nos sentir como estivéssemos em um sonho. Para crer, como uma gentil criança, ainda em Contos de Fada!
Ao firmar nosso compromisso com as letras e as artes, estávamos assinando também nosso enlace com a posteridade, com a honra, a disciplina, a inspiração.
Que o Patrono da Arcádia, Alberto Santos Dumont, abençoe nossa palavra escrita e a faça alçar os voos por toda eternidade!
PALAVRAS PARA TIA ZENAIDE
Boa noite,
Quero Cumprimentar a Academia Barbacenense de Letras, citando o nome do Presidente, Rodrigo Geoffroy; cumprimento todos os componentes da mesa, os acadêmicos, e em especial, a Dra. Cláudia que está sucedendo a cadeira de número 18. Cadeira esta, que tem um significado especial para mim, porque foi fundada pela minha tia Zenaide Vieira.
Preciso justificar a ausência da presença da minha Tia-avó Eunice, que é a única irmã viva da minha Tia Zenaide. A tia Eunice mora na cidade de Itabirito e estava muito feliz com este convite. Planejou vir para Barbacena, mas infelizmente esse tempo frio tornou a viagem inapropriada, porque ela tem seus 93 anos de idade e queria trazer o seu marido, que tem nada menos que 99 aninhos. Ontem ela conversou comigo e me pediu para deixar um grande abraço para a Dra. Cláudia, e deixar seu agradecimento para todos os membros desta Academia.
Meu nome é Luiza, sou sobrinha neta da querida Tia Zenaide Vieira, que, para muitos, carinhosamente, era chamada de “Tia Naide”, ou ainda, para os mais íntimos, incluindo o presidente desta Academia, também era chamada de “dinha Naide”.
Em nome da nossa família, eu quero agradecer a estimada Dra. Claúdia Jorge, pela belíssima homenagem prestada com tanto carinho e riqueza de detalhes. Agradeço também ao Presidente dessa Academia, prof. Rodrigo Geoffroy, que ambos, com muito carinho nesta noite honraram o nome da nossa querida tia. Agradeço ainda pela
oportunidade que me foi dada para estar aqui também fazendo a minha homenagem para ela. Os Senhores, juntamente com o amigo – hoje ausente -, Ricardo Salim, me fizeram sentir bem vinda nesta Academia. E por isso, eu vim! Muito obrigada!
Quero declarar, em nome da nossa família, que estamos felizes em saber que a cadeira de número 18, fundada pela nossa Tia Zenaide, passa a ser ocupada por uma pessoa tão admirável, e eu, particularmente, tenho certeza que a Dra. Cláudia merece ocupar esta cadeira. Portanto, Dra. Cláudia, a partir de hoje, sinta-se abraçada pela nossa família também. Você agora, é uma extensão dela.
Quando me perguntaram se talvez eu poderia vir aqui, nesta noite, para dizer alguma coisa, sobre a minha amada tia, imediatamente eu pensei que recusar não poderia ser uma opção. Isso porque jamais me faltariam palavras para dizer ou descrever qualquer coisa sobre ela. Na verdade, qualquer pessoa que tenha convivido com ela, teria muitas coisas para contar, porque ela definitivamente não passou despercebida na vida de ninguém. A sua presença foi marcante na vida de todos.
A nossa “tia Naide” nesta vida não teve filhos. Mas o seu coração materno era tão grande, que ela escolheu ser mãe de todos os sobrinhos.
Ela, quem foi a nossa guardiã, o nosso ponto de encontro familiar e o nosso grande exemplo… Ela, que nos pequenos detalhes conseguia ser tão rígida, mas que, diante dos grandes reveses da vida, era a nossa maior acolhedora.
Falando sobre as pessoas que conviveram com ela, eu desconheço quem nunca tenha levado um bom puxão de orelha dela.
Os Senhores não imaginam como era almoçar na casa dela! Ai de quem colocasse os cotovelos sobre a mesa! Não podíamos fazer malcriação, porque claro, na hora certa o sermão chegaria, ela não deixava passar nada! Sempre cuidou muito bem dessa parte.
Entretanto, dentro dessa linha tênue da sua firmeza, habitava também o coração mais nobre e generoso que já conheci — e já ouvi falar. (Sim, até hoje descubro histórias sobre a sua generosidade.)
Quem nunca foi ajudado por ela? Eu também desconheço.
Bastava elogiar os sapatinhos que ela estivesse usando nos pés, que no outro dia ela mandava entregar na porta da casa de quem elogiou. Ah… os sapatinhos eram sempre de bicos bem finos. E isso eu puxei dela!!!
E quando chegávamos de surpresa na casa dela?
Ela saía correndo, desesperada, procurando algum presentinho perdido pela casa para nos entregar e dizer: “Olha o que eu comprei para você.”
E a gente fingia que acreditava, mesmo sabendo que era uma ideia de última hora. Nunca saímos de lá sem uma sacolinha nas mãos.
Mas, e se por acaso ela soubesse que alguém havia cometido algum erro? Aí era a vez dela de aparecer de surpresa na nossa casa.
Chegava para corrigir e ensinar, do jeitinho que só quem conviveu com a tia Naide sabe mensurar.
Ela era rígida — sempre foi. Era assim com tudo o que colocava as mãos, e em tudo o que acreditava ser o correto.
Era rigorosa, sim. Mas também profundamente coerente com os seus princípios.
Ela não negociava. E assim viveu. – E quanto a esse modo de viver eu preciso dizer que ela era INTEIRA. E ela era GRANDE.
Ela viveu a sua vida em plenitude — sempre impecável em tudo o que fazia e sempre presente entre nós.
Nos deixou um ensinamento genuíno sobre a vida: ensinou que não devemos ter vergonha das nossas características nem das nossas fraquezas.
Não podemos negar as nossas falhas, mas devemos sim, acima de tudo, manter a retidão.
Para ela, não era possível ser ético pela metade.
Entre a boa conduta, os valores e os princípios, a plenitude era, para ela, a maior virtude. Ela acreditava, que somos éticos em tudo — ou não somos éticos em nada.
E mais uma vez eu friso que ela era GRANDE e ela era INTEIRA. Em nada exagerava, nem excluía.
Eu poderia fazer uma longa lista de lembranças e agradecimentos sobre ela.
Mas escolhi compartilhar uma mensagem específica, que eu guardo com muito carinho.
Porque uma pessoa forte e inabalável como ela, com certeza deixou seus conselhos para todos nós — inclusive para aqueles que não a conheceram ou que não conviveram com
ela diariamente. Além da nossa família, sabemos que a vida dela marcou todas as pessoas que tiveram o privilégio de conviver ao seu lado. Portanto, escolhi mostrar isso para todos os Senhores que estão presentes nesta noite.
E, partindo dessa premissa, com muito carinho, quero compartilhar com vocês um dos ensinamentos que ela deixou — uma daquelas boas sementes que um dia ela plantou por aí…
Mas que alguém, naquela hora, registrou, e eu guardo comigo debaixo de sete chaves.
Quero que os senhores se lembrem sempre desta mensagem que ela deixou antes de partir — e que, à maneira de cada um, façam as suas próprias interpretações.
Este dia foi o meu último aniversário com a presença dela.
Foi o último presente que ela me deu. Uma mensagem que eu carrego comigo e que é a mensagem que ela explanava para todos nós.
Esta é a minha herança — e é com profundo carinho que a compartilho com os senhores.
Luíza Santos Vieira Baêta
(Sobrinha-neta de Zenaide Araújo Vieira Maia)















