Pequeno registro de uma noite memorável

O calendário apontava o dia vinte de novembro de 2025; era uma noite de primavera na Academia Barbacenense de Letras, em festa para a apologia ao professor Mário Celso Rios, que dedicou sua vida aos altaneiros ideais da educação, da cultura, das letras, das artes, da história, do direito constitucional, mantendo acesa a luz da Casa de Alberto Santos Dumont, Correia de Almeida, Abgar Renault, George Bernanos, Plínio Alvarenga e tantos outros.

A sessão começou e logo foi interrompida pela notícia do passamento, naquele momento, da acadêmica Zilda Moreira de Castro, aos 103 anos, sendo feito um minuto de silêncio em sua homenagem. De plano, impermanência e imortalidade andando juntas, enviando o seu recado, para os que ficam e para os que partem!

Cumpridos os protocolos tradicionais pela Diretoria, a apologia começou, no Dia Nacional da Consciência Negra, sendo saudado o patrono da Cadeira nº 21, o benemérito Sabino José Ferreira, um homem de “ideias em obras”, fundador de diversas escolas e instituições beneficentes.

Na Tribuna, o acadêmico encarregado da apologia convidava à seleta assembleia que lotava a Arcádia, para uma conversa em que pudessem acionar as memórias de cada um com o saudoso professor homenageado, evocado ali pelas mentes e corações de seus discípulos, amigos, confrades, confreiras e familiares.

De forma leve e emocionada, um excerto biográfico foi sendo construído, demostrando as virtudes e sabedoria deste educador de todos nós, por meio de fatos lembrados, sentimentos marcados, ensinamentos profundos, depoimentos, testemunhos, começando e terminando com versos do biografado.

Até que inusitado fenômeno aconteceu: a foto emoldurada de Mário, com largo sorriso, que estava exposta sobre uma das prateleiras de livros “barbacenianos” movimentou-se, foi ao chão!

Quem observou de perto, assevera que o quadro foi sendo puxado, em movimentos lentos, por mãos invisíveis… A queda estilhaçou o vidro, causando inusitado espanto, metaforicamente como quem está sendo “desenquadrado”…

Para os espiritualistas presentes, uma manifestação de efeitos físicos, que revelou a presença do homenageado, sua alegria ou, sua fúria!

Para os céticos, apenas o acaso ou a lei da gravidade que jogou o quadro!

As sendas do destino traçaram, em meio ao invisível, a presença de mãos valorosas, que não apenas escreveram e honraram o passado, mas lançaram em movimentos leves e constantes a assinatura do invisível: “dizer que um dia ali estive. Mas, que sempre o estarei.”

O “acaso” dançou como se tocado por valsa flutuante estilhaçando-se em mil pedaços. E o que é a alma de um ilustre Mestre senão mil pedaços de letras e exemplos, mil cacos que representam em si o somatório fragmento de nossas existências!

Somos todos mil e uma partes aguardando serem unidas pela infinitude da benevolência de Deus!

Nosso caro Mestre nos prova sua continuidade em cada instante. Na imortalidade de suas letras. Na assinatura de seu legado eterno. Salve, nosso amado Professor!

Também era o momento da publicação do anuário de 2025 e de sua apresentação, com textos os mais variados, da lavra de vinte e três “imortais”, em primoroso trabalho da comissão editorial e cuja capa também homenageava o inesquecível Mário Celso.

Depois de finalizados os protocolos e manifestações, os convivas desfrutaram de um lauto buffet, assinado por uma das acadêmicas mais dinâmicas e longevas na ABL, quando se confraternizaram e celebraram a vida e a imortalidade, trocando suas impressões.

Que o leitor destas linhas tire sua própria conclusão!

Carla Lima Abreu Cruz (Acadêmica, cadeira nº 15)

Luciano Alencar da Cunha (Acadêmico, cadeira nº 21)