Homenagem a Ângela Maria Rodrigues Laguardia

Por Moisés Mota da Silva

 

Discurso proferido ao término da Missa de Sétimo Dia, na Igreja Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena (MG).

 

Senhoras e senhores,

Hoje, venho prestar uma homenagem à querida Ângela Maria Rodrigues Laguardia, trazendo comigo os sentimentos do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do qual era Associada Efetiva, e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette, na qual integrava o quadro de Acadêmicos Correspondentes.

Sua partida representa uma perda imensa para a inteligência, para a literatura e para a cultura mineira.

Ângela foi uma mulher das letras em sua mais elevada expressão. Doutora pela Universidade Nova de Lisboa, mestre pela UFMG, professora e pesquisadora, dedicou sua trajetória ao estudo da literatura, especialmente à valorização da autoria feminina e à recuperação da memória de mulheres que fizeram história por meio da palavra escrita.

Mas hoje não estamos aqui apenas para reverenciar seus títulos, sua formação acadêmica ou sua expressiva produção intelectual. Estamos aqui para homenagear uma pessoa muito querida.

Ângela era amiga dos amigos, uma mulher de afetos e de vínculos verdadeiros. Era filha, esposa, mãe e avó. Tinha uma história familiar, uma vida construída de encontros, de carinho e de relações que ultrapassam qualquer reconhecimento acadêmico. É nessa dimensão humana que sua ausência também será profundamente sentida.

Sua presença se fez importante em diferentes instituições: no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, na Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette, na Academia Barbacenense de Letras, na Academia Feminina Mineira de Letras (AFEMIL) e na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. Em todas elas, deixou sua contribuição e ajudou a fortalecer os espaços dedicados à cultura e ao pensamento.

Há uma passagem particularmente bela na tradição literária de nossa língua, presente no Sermão da Sexagésima, do Padre Antônio Vieira, quando ele reflete sobre a força da palavra e a importância daquilo que se semeia. Vieira nos ensina, em sua célebre reflexão, que a palavra não deve apenas ser pronunciada: precisa encontrar terreno fértil, produzir frutos e transformar aqueles que a recebem.

Ângela fez exatamente isso. Ao longo de sua vida, semeou conhecimento, despertou o interesse pela literatura, valorizou a escrita feminina e compartilhou sua paixão pelos livros. Suas palavras encontraram terreno fértil em seus alunos, leitores, colegas e amigos. E é por isso que, mesmo diante de sua ausência física, sua obra continuará florescendo, como florescem as rosas de Barbacena.

Ontem, conversei com o presidente da Academia Barbacenense de Letras, Prof. Rodrigo Geoffroy, e pude compartilhar um pouco da dimensão dessa perda para nossas instituições e, sobretudo, para a comunidade intelectual de Barbacena.

As academias e os institutos históricos são feitos de pessoas, de suas histórias, de suas ideias e, principalmente, dos laços que construímos ao longo da caminhada. Ângela deixa uma lacuna que não será facilmente preenchida.

Em nome do IHGMG e da ACLCL, expresso nossa solidariedade aos familiares, amigos, confrades e a todos que tiveram o privilégio de sua convivência.

Moises Mota da Silva
Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette